Presidente da UNIDAS e diretor-presidente da ANS convergem na defesa de uma regulação orientada por resultados,
com foco no paciente e uso responsável da inovação

Na abertura do 17º Seminário UNIDAS – Novos Marcos Regulatórios e seus Impactos na Saúde Suplementar, realizada no dia 14 de abril, o presidente Mário Jorge e o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, convergiram em um diagnóstico: o setor vive um momento de inflexão e exigirá mudanças estruturais na regulação.
Os discursos de abertura, embora com ênfases próprias, convergiram em pontos centrais: a necessidade de reposicionar a regulação, o esgotamento do modelo atual, o papel da tecnologia e a urgência de alinhar sustentabilidade econômica com proteção ao beneficiário.

A leitura compartilhada é a de que o setor atravessa mais do que uma fase de ajustes. Trata-se de uma mudança estrutural, que exige revisão de premissas e reordenação de prioridades. A gravação completa da abertura do 17º Seminário UNIDAS está disponível no canal do YouTube, clicando aqui.
Regulação como instrumento, não como fim
Tanto Mário Jorge quanto Wadih Damous rejeitaram a ideia de uma regulação meramente normativa ou burocrática. Nos dois discursos, a regulação aparece como ferramenta para organizar o sistema e induzir melhores resultados.
Ao abrir o evento, Mário Jorge definiu a regulação como instrumento de equilíbrio, indução e proteção, destacando que, para o beneficiário, ela deve ser percebida como garantia de acesso, e não como barreira.
Wadih Damous, por sua vez, afirmou que o debate regulatório precisa sair de uma lógica fragmentada e assumir um papel mais estratégico, voltado à qualidade do cuidado e à eficiência real.
O esgotamento do modelo atual
Há também convergência no diagnóstico de que o modelo vigente perdeu capacidade de resposta. A crítica à fragmentação, com foco excessivo em regras isoladas e procedimentos, apareceu de forma explícita nas duas falas.
O presidente da ANS afirmou que o setor se acostumou a discutir normas e procedimentos, deixando em segundo plano a trajetória do paciente e os resultados efetivos de saúde. Na mesma linha, o presidente da UNIDAS defendeu uma regulação que dialogue com a prática assistencial e com a evidência científica, evitando distorções e promovendo decisões mais qualificadas.
Autogestão como referência
Ao tratar do papel das autogestões, o Mário Jorge defendeu que o modelo pode servir de referência para um novo ciclo regulatório, por alinhar, de forma mais direta, os interesses do sistema com o cuidado ao beneficiário. Ao final, Wadih Damous destacou as especificidades do modelo e afirmou que as autogestões têm uma “oportunidade histórica” de liderar as transformações em curso na saúde suplementar.
Saiba mais
A íntegra do discurso de Mário Jorge está disponível aqui.
A íntegra do discurso de Wadih Damous pode ser acessada aqui.