Encontro reuniu mais de 30 representantes de 10 APAS do Estado de São Paulo, para discutir RN 649, inovação,
transformação digital e reforma tributária

“Juntos somos mais fortes.” A frase, repetida diversas vezes ao longo da tarde da última segunda-feira (11), em Bauru, no interior de São Paulo, deu o tom do encontro entre a UNIDAS – Autogestão em Saúde e representantes de 10 Associações Policiais de Assistência à Saúde do Estado de São Paulo – APAS.
A convite da APAS Bauru, a entidade esteve no município para apresentar às associações paulistas os projetos estratégicos em andamento, as iniciativas de inovação e transformação digital, os produtos e serviços oferecidos às filiadas e as oportunidades para o segmento, a partir da RN 649 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Mais de 30 participantes acompanharam as apresentações do presidente da UNIDAS, Mário Jorge; da gerente executiva, Amanda Bassan; e do advogado e consultor tributarista da instituição, Welington Luiz Paulo. A pauta percorreu temas que hoje impactam diretamente as autogestões, como sustentabilidade, reforma tributária, expansão e novas oportunidades.

Segundo ele, o modelo foi construído a partir da organização coletiva e da busca por soluções mais próximas da realidade dos beneficiários. “Nós gestamos uma entidade que pautou a luta dos servidores para a construção dessas associações e fazem a diferença nos municípios mais importantes da qualidade de vida de um ser humano e de uma família”, afirmou.
Para o presidente da UNIDAS, esse histórico ajuda a explicar a dimensão alcançada pelas autogestões ao longo das últimas décadas. “Só quem trabalha nas autogestões ou se aproxima tem a percepção da dimensão do que é que nós temos feito”, disse.
Ao longo da apresentação, Mário Jorge também reforçou a importância de ampliar conexões entre as entidades diante das mudanças regulatórias e operacionais do mercado.
Na sequência, Amanda Bassan apresentou os projetos estratégicos desenvolvidos pela UNIDAS para apoiar as filiadas em áreas como inteligência setorial, relacionamento institucional, formação profissional, transformação digital e inovação colaborativa. Entre os destaques estiveram a aceleradora de centrais de serviços intra-filiadas e o projeto “UNIDAS na palma da mão”, ligado à estratégia de transformação digital da entidade.
Segundo Amanda, a proposta da aceleradora é permitir que soluções já testadas por determinadas autogestões possam ser compartilhadas com outras entidades, ampliando resultados e reduzindo custos operacionais.
“Acompanhar as atualizações da ANS, que são praticamente diárias, acaba sendo extremamente importante para dentro das autogestões e com a implantação em escala, porque juntando várias autogestões a gente consegue criar um projeto muito mais robusto”, afirmou.
A gerente-executiva também destacou diferenças estruturais entre as autogestões e os demais modelos do mercado, especialmente no investimento em prevenção e atenção primária. Ela ainda ressaltou a necessidade de desenvolver soluções específicas para a realidade do segmento, principalmente nas áreas de capacitação e qualificação profissional.
Se a apresentação de Amanda mostrou os projetos em desenvolvimento na entidade, a exposição de Welington Luiz Paulo trouxe o olhar jurídico sobre um dos temas mais sensíveis para o setor: os efeitos da reforma tributária. O advogado explicou os impactos da Emenda Constitucional nº 132/2023 e da Lei Complementar nº 214/2025, especialmente em relação ao IBS e à CBS.
Segundo ele, a nova legislação passou a reconhecer especificidades das autogestões dentro da estrutura tributária federal, mas também exigirá maior atenção das entidades quanto à comprovação de sua natureza jurídica e operacional.
“A isenção é assegurada não propriamente por uma associação, mas sim por uma autogestão”, afirmou.
Ao final do encontro, o presidente da APAS Bauru, Marinalvo Pereira, relacionou a experiência das autogestões ao conceito de “encantamento” dentro da atenção primária e do vínculo construído com os beneficiários.
“Faz com que você leve o encantamento até as pessoas. Encantamento verdadeiro”, afirmou.
Marinalvo também destacou as iniciativas de capacitação apresentadas pela UNIDAS, como cursos, treinamentos e ações desenvolvidas pelo Campus UNIDAS.
Entre projetos, mudanças regulatórias e discussões tributárias, o encontro em Bauru reforçou uma ideia repetida ao longo de toda a tarde: diante de um setor em transformação, ampliar conexões e compartilhar soluções passou a ocupar espaço central nas estratégias das autogestões.
Participaram do encontro representantes das APAS Andradina, Araçatuba, Assis, Bauru, Jaú, Marília, Ribeirão Preto, Sorocaba/Votorane